
Durante anos sonhei fazer uma tatuagem. Sabia que a queria, mas não o que queria fazer. Apesar de ser uma pessoa de certa forma impulsiva, não queria algo sem significado. Por isto mesmo passei anos e anos a magicar o que tatuaria na minha pele. Só sabia o local onde queria - no pulso.
No início deste ano soube finalmente o que gostava de tatuar. Deixei a sua imagem no meu ambiente de trabalho - podia-me dar a loucura do momento e fazê-la sem pré-aviso. Esse dia surgiu em Março. Aproveitando a boleia de uma amiga que também ia fazer uma, tomei a decisão de a fazer, praticamente sem pré-aviso.
Não me arrependo, nem um bocadinho. Não me arrependo de ter desiludido a minha mãe, que poucos dias depois esqueceu o assunto. Não me arrependo de ter feito uma marca para a vida no meu pulso. Não me arrependo de a ter feito só para mim, virada para mim, com a mensagem que acabaria por ler diariamente desde então.
Hoje, meses mais tarde, continuo a sorrir cada vez que a vejo. Escrevi esta mensagem para mim numa altura da minha vida em que tudo me corria bem. Por vezes, sinto que lá no fundo saberia que iria precisar de a ler todos os dias num futuro próximo. Se me sinto triste, olho para o pulso e sorrio.





