terça-feira, 4 de novembro de 2014

Tinta


Durante anos sonhei fazer uma tatuagem. Sabia que a queria, mas não o que queria fazer. Apesar de ser uma pessoa de certa forma impulsiva, não queria algo sem significado. Por isto mesmo passei anos e anos a magicar o que tatuaria na minha pele. Só sabia o local onde queria - no pulso.

No início deste ano soube finalmente o que gostava de tatuar. Deixei a sua imagem no meu ambiente de trabalho - podia-me dar a loucura do momento e fazê-la sem pré-aviso. Esse dia surgiu em Março. Aproveitando a boleia de uma amiga que também ia fazer uma, tomei a decisão de a fazer, praticamente sem pré-aviso.

Não me arrependo, nem um bocadinho. Não me arrependo de ter desiludido a minha mãe, que poucos dias depois esqueceu o assunto. Não me arrependo de ter feito uma marca para a vida no meu pulso. Não me arrependo de a ter feito só para mim, virada para mim, com a mensagem que acabaria por ler diariamente desde então.

Hoje, meses mais tarde, continuo a sorrir cada vez que a vejo. Escrevi esta mensagem para mim numa altura da minha vida em que tudo me corria bem. Por vezes, sinto que lá no fundo saberia que iria precisar de a ler todos os dias num futuro próximo. Se me sinto triste, olho para o pulso e sorrio.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Vade Retro


A quantidade de pessoas que me sugam a energia é demasiado elevada. Os vampiros não são seres imaginários, eles estão por aí, em cada bairro, em cada esquina. Vão sempre sugar a nossa energia positiva, directa ou indirectamente. Por vezes, basta ler o nome delas.

O segredo está na nossa capacidade em gerir as nossas emoções quando nos deparamos com uma destas pessoas. Se alguém souber, que me diga. Baby steps, baby steps.

domingo, 2 de novembro de 2014

Regresso


Não era suposto voltar tão cedo. Queria evitar encarar a cidade onde vivi tudo e onde tudo perdi. A cidade onde me tornei independente, onde me senti em casa no primeiro dia, a cidade onde, em criança, vivi sempre férias inesquecíveis.

Escolhi lá viver por amor. É a única definição que tenho para o que sentia. Deixei a capital de armas e bagagens rumo ao Norte e instalei-me com um sorriso na cara e de braços abertos, pronta para esta nova realidade. Lá fiz amigos, estudei que me fartei, encontrei o meu primeiro emprego, voltei a apaixonar-me todos os dias. Com o tempo, comecei a considerar esta cidade como minha. Deixamos sempre um pouco de nós por onde passamos.

Não era suposto voltar tão cedo para a cidade onde me tornei mulher, onde deixei de ser a menina dos papás acabada de licenciar e encarei todos os desafios de uma nova Universidade. Onde conheci pessoas tão diferentes das da capital e onde dei os primeiros passos na minha área ao lado dos melhores. Fiz bons amigos, esqueci os maus. Passeei, fotografei, comi, visitei, pintei e sorri. Sobretudo, amei muito.

Depois de tudo o que vivi nesta cidade maravilhosa, parece infantil eu andar a evitá-la a todo o custo. Pode uma desilusão fazer com que esqueçamos tudo o que vivemos? Não era suposto voltar tão cedo. Mas ainda bem que voltei. Não há melhor maneira de encarar os nossos medos do que agarrá-los pelos cornos. Não foi a cidade que me esqueceu, foste tu. E por isso, nunca mais vou largar a cidade que me recebeu de braços abertos. Até já, Porto. Um brinde às boas memórias!

Posso cair, mas vou sempre levantar-me.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Gratidão.


Nos momentos mais complicados da nossa vida, temos sempre tendência em agarrarmo-nos às coisas difíceis. Ao que nos fez chegar aqui. E, principalmente, aos porquês. Porquê eu? O que fiz para merecer isto? O que podia ter feito para que isto não tivesse acontecido?

É muito importante tentar (e friso tentar, porque é algo trabalhoso) focar toda a nossa atenção nas coisas boas. É impossível ser tudo mau. Há que sentir gratidão por algo na nossa vida e é a isso que nos devemos agarrar.

Como diz a nossa amiga, posso não ter nada, mas sinto que tenho tudo. Vivo numa das capitais mais lindas deste mundo. Estamos em finais Outubro e ando de vestido de verão, a comer gelados, ao sol. Tenho amigos. Dos antigos, dos novos. São poucos, mas os que o são, são sempre. Sinto-me grata por, apesar de tudo, sentir capacidade de amar. Sinto gratidão por saber que, um dia, vai ficar tudo bem.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Descartabilidade das coisas.

É tudo descartável. Os objectos que nos rodeiam são descartáveis. Os móveis são descartáveis. Nas empresas, qualquer trabalhador é substituível e descartável. O talento é desperdiçado. Os canudos já não interessam. Os amigos descartam-se quando não precisam uns dos outros. Se o amor dá muito trabalho, é logo descartado. Os portugueses são descartáveis, coitados.

Só vejo descartanço à minha volta.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Da falta de argumentos.

Quando as "celebridades" se enterram à grande e à francesa, das duas uma: ou pedem desculpa e passados uns anos já ninguém se lembra disso, ou nunca mais serão dissociados da imagem que passaram cá para fora. Coitada. Cheira-me que a Luana Piovani já não vem a Portugal sem levar com um pastel de nata na cara. Falta de argumentos dá nisto. Às vezes mais vale ficar-se calado.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Respostas.


Sou uma pessoa muito curiosa em relação à espiritualidade. Não creio em nenhum deus específico nem sigo uma religião. Gosto de beber daqui e dali e de tirar as minhas conclusões. Nos últimos anos comecei a interessar-me mais e mais pelos mapas astrais, pelos estudos do ser que se formam quando nascemos. Interessam-me porque tudo o que li e me disseram bate mesmo certo com o que sou e me aconteceu durante a vida.

Por estar bastante atenta a este mundo, reparei que neste meio repleto de retiros espirituais, astrologia e energia, meditação e yoga, encontramos três tipos de pessoas:

Os curiosos, como eu, que gostam de filtrar toda a informação (filtrar, e não absorver), chegando às suas próprias conclusões.

Os zen, que conhecem-se bem, sabem o seu lugar na terra (não sei como, mas chegaram lá) e vivem felizes e em paz com o mundo e com os outros.

Por fim, talvez o grupo com maior número de pessoas. Este é feito daqueles que vivem dos retiros, dos ensinamentos, do tarot e da astrologia mas que, estranhamente, só encontram neles a felicidade instantânea.

Posso garantir que, de toda as pessoas que conheci durante a minha vida, algumas das mais tristes, infelizes e de mal com o mundo são as pessoas que mais fazem retiros espirituais, mais meditam, mais consultam os astros. Não faz sentido, mas é o que vejo à minha volta. Irónico, não?

Haverá uma correlação entre a busca incessante por respostas e a infelicidade? Não sei. Se calhar, as pessoas mais felizes são as que não procuram respostas, pois elas acabarão por chegar quando menos esperam.