segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Vade Retro


A quantidade de pessoas que me sugam a energia é demasiado elevada. Os vampiros não são seres imaginários, eles estão por aí, em cada bairro, em cada esquina. Vão sempre sugar a nossa energia positiva, directa ou indirectamente. Por vezes, basta ler o nome delas.

O segredo está na nossa capacidade em gerir as nossas emoções quando nos deparamos com uma destas pessoas. Se alguém souber, que me diga. Baby steps, baby steps.

domingo, 2 de novembro de 2014

Regresso


Não era suposto voltar tão cedo. Queria evitar encarar a cidade onde vivi tudo e onde tudo perdi. A cidade onde me tornei independente, onde me senti em casa no primeiro dia, a cidade onde, em criança, vivi sempre férias inesquecíveis.

Escolhi lá viver por amor. É a única definição que tenho para o que sentia. Deixei a capital de armas e bagagens rumo ao Norte e instalei-me com um sorriso na cara e de braços abertos, pronta para esta nova realidade. Lá fiz amigos, estudei que me fartei, encontrei o meu primeiro emprego, voltei a apaixonar-me todos os dias. Com o tempo, comecei a considerar esta cidade como minha. Deixamos sempre um pouco de nós por onde passamos.

Não era suposto voltar tão cedo para a cidade onde me tornei mulher, onde deixei de ser a menina dos papás acabada de licenciar e encarei todos os desafios de uma nova Universidade. Onde conheci pessoas tão diferentes das da capital e onde dei os primeiros passos na minha área ao lado dos melhores. Fiz bons amigos, esqueci os maus. Passeei, fotografei, comi, visitei, pintei e sorri. Sobretudo, amei muito.

Depois de tudo o que vivi nesta cidade maravilhosa, parece infantil eu andar a evitá-la a todo o custo. Pode uma desilusão fazer com que esqueçamos tudo o que vivemos? Não era suposto voltar tão cedo. Mas ainda bem que voltei. Não há melhor maneira de encarar os nossos medos do que agarrá-los pelos cornos. Não foi a cidade que me esqueceu, foste tu. E por isso, nunca mais vou largar a cidade que me recebeu de braços abertos. Até já, Porto. Um brinde às boas memórias!

Posso cair, mas vou sempre levantar-me.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Gratidão.


Nos momentos mais complicados da nossa vida, temos sempre tendência em agarrarmo-nos às coisas difíceis. Ao que nos fez chegar aqui. E, principalmente, aos porquês. Porquê eu? O que fiz para merecer isto? O que podia ter feito para que isto não tivesse acontecido?

É muito importante tentar (e friso tentar, porque é algo trabalhoso) focar toda a nossa atenção nas coisas boas. É impossível ser tudo mau. Há que sentir gratidão por algo na nossa vida e é a isso que nos devemos agarrar.

Como diz a nossa amiga, posso não ter nada, mas sinto que tenho tudo. Vivo numa das capitais mais lindas deste mundo. Estamos em finais Outubro e ando de vestido de verão, a comer gelados, ao sol. Tenho amigos. Dos antigos, dos novos. São poucos, mas os que o são, são sempre. Sinto-me grata por, apesar de tudo, sentir capacidade de amar. Sinto gratidão por saber que, um dia, vai ficar tudo bem.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Descartabilidade das coisas.

É tudo descartável. Os objectos que nos rodeiam são descartáveis. Os móveis são descartáveis. Nas empresas, qualquer trabalhador é substituível e descartável. O talento é desperdiçado. Os canudos já não interessam. Os amigos descartam-se quando não precisam uns dos outros. Se o amor dá muito trabalho, é logo descartado. Os portugueses são descartáveis, coitados.

Só vejo descartanço à minha volta.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Da falta de argumentos.

Quando as "celebridades" se enterram à grande e à francesa, das duas uma: ou pedem desculpa e passados uns anos já ninguém se lembra disso, ou nunca mais serão dissociados da imagem que passaram cá para fora. Coitada. Cheira-me que a Luana Piovani já não vem a Portugal sem levar com um pastel de nata na cara. Falta de argumentos dá nisto. Às vezes mais vale ficar-se calado.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Respostas.


Sou uma pessoa muito curiosa em relação à espiritualidade. Não creio em nenhum deus específico nem sigo uma religião. Gosto de beber daqui e dali e de tirar as minhas conclusões. Nos últimos anos comecei a interessar-me mais e mais pelos mapas astrais, pelos estudos do ser que se formam quando nascemos. Interessam-me porque tudo o que li e me disseram bate mesmo certo com o que sou e me aconteceu durante a vida.

Por estar bastante atenta a este mundo, reparei que neste meio repleto de retiros espirituais, astrologia e energia, meditação e yoga, encontramos três tipos de pessoas:

Os curiosos, como eu, que gostam de filtrar toda a informação (filtrar, e não absorver), chegando às suas próprias conclusões.

Os zen, que conhecem-se bem, sabem o seu lugar na terra (não sei como, mas chegaram lá) e vivem felizes e em paz com o mundo e com os outros.

Por fim, talvez o grupo com maior número de pessoas. Este é feito daqueles que vivem dos retiros, dos ensinamentos, do tarot e da astrologia mas que, estranhamente, só encontram neles a felicidade instantânea.

Posso garantir que, de toda as pessoas que conheci durante a minha vida, algumas das mais tristes, infelizes e de mal com o mundo são as pessoas que mais fazem retiros espirituais, mais meditam, mais consultam os astros. Não faz sentido, mas é o que vejo à minha volta. Irónico, não?

Haverá uma correlação entre a busca incessante por respostas e a infelicidade? Não sei. Se calhar, as pessoas mais felizes são as que não procuram respostas, pois elas acabarão por chegar quando menos esperam.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A última Coca Cola.


Tenho andado a reparar que alguns homens que me rodeiam, e também às minhas amigas, andam inchados como pavões e fazem questão de se vangloriarem de vários feitos, em nada extraordinários.

Ora se acham no direito de mandar abaixo, ou de controlar, ou mesmo de confessar que as trairiam num piscar de olhos se assim o quisessem, por isso "elas que sejam muito dóceis e delicadas senão ainda levam com um par de cornos em cima". Conselho meu - não sejam, por este tipo de homens, serão encornadas na mesma.

Meus queridos, tal como nós não somos as únicas para vocês, vocês também não são a última coca cola do deserto. É que nem perto disso. Porque para sermos achincalhadas, há muito homem por aí que pode fazer esse serviço. E se calhar, bem mais jeitosos que vocês. Já chega de controlo.

E às minhas amigas e a mim, só dou um conselho - arranjem maneira de serem felizes sozinhas. Porque homens, há muitos. Um dia, algum há de servir de vossa tampa. E se essa tampa não chegar, mais vale deixar a caixa aberta a todas as possibilidades.