segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Do ir ou não ir.


Quem me conhece sabe que fico sempre um pouco triste quando alguém da minha geração sai do país e tenta a sua sorte lá fora. Em busca de uma oportunidade melhor e do reconhecimento, um a um, os jovens deste país saem para possivelmente não voltarem.

Fico triste porque o país fica mais pobre. Porque precisamos destes jovens. Porque o país não os respeita como eles merecem. Se todos saírem, que será do nosso país?

Tenho licenciatura e mestrado, tenho experiência. Sinto que ninguém me quer e ninguém me respeita. Na minha área, só se arranja trabalho por cunhas e, quando se arranja, é-se explorado até perdermos a vontade de trabalhar.

Já me ofereceram 600 euros por cerca de 60 horas semanais. Além disto ser um insulto a qualquer pessoa (e de ser super ilegal), só posso concluir que há quem aceite este tipo de trabalho. Onde está o respeito? Onde está o bom senso? E a compaixão?

Será que todos os que foram é que têm razão? Temo que sim. De que vale lutar por um país que não nos quer?

domingo, 19 de outubro de 2014

Trash TV



Em tempos, o Woody Allen mencionou que a vida imita a má televisão. Confirmo, em primeira pessoa, que esta é a mais pura das verdades, tendo em conta que os meus últimos meses parecem saídos de um mau episódio de Sex and the City.

Dizem que vivemos num país de grunhos, que se alimentam de reality shows onde vemos as vidas de outros que conseguem ser ainda piores. Que só quem não tem nada na cabeça é que alimenta este tipo de entretenimento televisivo. A verdade é que eu, licenciada e mestre, tenho retirado um grande conforto do lixo televisivo.

Se a nossa vida imita a má televisão, felizmente isto só acontece em momentos chave da nossa vida. Felizmente, não estamos rodeados de stress a cada segundo, não moramos numa casa com gente que não nos diz nada, e dificilmente levaremos com um detergente na cabeça só porque mandamos uma boca foleira.

Sim, eu vejo trash TV porque me abstrai dos meus problemas, faz-me sentir entretida e menos sozinha, faz-me esquecer o passado, nem que seja por meia hora diária. Todos nós temos os nossos métodos para esquecer. O meu pode ser bem parolo, mas que me faz rir às gargalhadas, faz. E lá no fundo, bem no fundo, ainda aprendemos algumas coisas com eles.

sábado, 18 de outubro de 2014

#VocêsSabemLá



Adoro o meu clube. Sou bairrista, sou uma menina de Alvalade e este é o clube do meu bairro. A minha família torce por ele. O leão é um ícone para mim, um símbolo de força, coragem e dedicação. O verde é a minha cor. Sou sportinguista e foi esta a escolha que fiz quando comecei a gostar de futebol.

#VocêsSabemLá é o novo hashtag associado a este meu clube do coração. O clube (ou a equipa de marketing por detrás dele) quer que nós aficionados demos a conhecer ao mundo o que nos difere de todos os outros que não escolheram pertencer a esta família.

Não sendo melhores nem piores que os outros, senti na pele o que era ser de um clube diferente da norma quando me mudei para a Invicta. Lá vivi quase cinco anos e cruzei-me com poucos sportinguistas. E como se não me bastasse o rótulo de moura, os ânimos descambavam ainda mais por saberem que não era benfiquista (sim, há imensos portuenses apoiantes deste clube lisboeta. Curiosamente, alguns deles cismam em dizer que odeiam a cidade de Lisboa). 

Tudo o que é exagero é escusado. Ainda assim, senti uma pontinha de orgulho (ok, gigante) por vencer na terra onde era vista como um alien devido às minhas escolhas clubísticas. #VocêsSabemLá a pica que me dá.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Self-Love.




Sou uma eterna romântica. Claro está, que a culpa é da Disney e dos filmes que papei toda a minha infância. Acredito no amor, na amizade e ligações eternas. Seria incapaz de estar com uma pessoa sem a amar verdadeiramente e, se não gosto de uma pessoa, não consigo disfarçar o meu desinteresse.

De vez em quando, o Universo dá me um abanão como se me quisesse dizer que estou errada, que as pessoas não estão para aí viradas, que nada é eterno e que os meus pensamentos e desejos não são mais que utópicos.

Sei que já fiz tudo por amor e, ainda assim, o tudo não chegou. Podia desistir de acreditar, mas entretanto, como eterna optimista, vou-me amar a mim mesma como se não houvesse amanhã.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Do pensamento positivo.


Se estás desempregado/a.
Tens tempo para ti.
Se está frio, chuva e tens o nariz a pingar.
A melhor desculpa para te enrolares no sofá a ver trash TV.
Se o teu peixinho amarelo foi desta para melhor.
O teu outro peixinho ganhou mais espaço no aquário.
Se estás solteiro/a, inesperadamente.
Tens mais tempo para dedicar aos teus amigos e família.
Se consideravas uma pessoa tua amiga e já demonstrou que não o é.
Não perdes nada, acredita.
Se te chamam para uma entrevista e não correu bem.
Já conheceste mais um escritório em Lisboa. E a vista, não é linda?
Se achas que o universo, por vezes, conspira contra ti.
Antes da meia-noite ainda te dá uma boa surpresa.
Se tens de voltar a morar em casa dos pais.
Tens comida e roupa lavada.

Se sentes isto tudo e muito mais.
Escreve um blogue.